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domingo, 9 de dezembro de 2012


A DÍVIDA
Qualquer pessoa de bem, que se preze, quando tem uma dívida, não descansa enquanto não a liquidar, para se libertar do fardo pesado que a oprime e quanto mais cedo o fizer melhor.
Quer gostemos ou não, a Alemanha é quem manda na Europa. Aquilo que não conseguiu pelas armas , foi alcançado pela economia.
Angela Merkel já disse  que a Europa vai ter de aguentar mais cinco anos de austeridade. É o ciclo centenário da 1.º Grande Guerra Mundial que nos espera em termos de recessão.
O nosso pobre país está de igual modo, atolado numa dívida como há 100 anos. Para que a história não se repita, só existe uma solução para vencermos estes cinco anos de austeridade que nos esperam – a união entre os portugueses.
Para subir a encosta íngreme da dívida em que caímos, só puxando o carro para cima, todos para o mesmo lado, é que conseguiremos subir a montanha. Não existem alternativas, embora alguns opinem que se formos aos ziguezagues é mais suave, mas custa na mesma e leva mais tempo a suportar o esforço e aumenta o trajeto (leia-se custo),  já foi experimentado e deu no que deu.
A prestação a pagar por um período mais curto é mais dolorosa que a diluída no tempo, mas tem a vantagem de libertar da dívida mais cedo e poder respirar e dormir melhor. Dou um exemplo: - A subida a Santa Luzia pode-se fazer de duas formas; pelo escadório ou à volta pela estrada. Se optarmos pela primeira, custa mais, mas quando chegarmos lá acima podemos descansadamente comer o farnel. Ao contrário, se optarmos pela segunda, não custa tanto, mas demora uma eternidade e quando alcançarmos o topo, se lá chegarmos, já não há nada para comer.
Estou-me a lembrar ainda de outro exemplo, relacionado com o sucesso dos emigrantes, que se deve em grande parte à austeridade que eles próprios impoem  nos primeiros anos no estrangeiro, em que, para obterem alguma poupança para comprarem a tão almejada casa na terra (em geral é esse o sonho da maioria), privam-se de muitas coisas, que a maioria dos residentes no país não dispensa. O objetivo é alcançar o sonho rápidamente para regressar à terra natal, e aí viverem tranquilamente, escorados nalguma poupança conseguida e trabalhando a terra ou montando um pequeno negócio.
Mas existem outros emigrantes que não regressam mais, que vivem em casas arrendadas, por que não quiseram fazer sacrifícios, preferiram fazer uma vida do tipo «chapa ganha, chapa batida», dando-se a luxos e prazeres, por vezes endividando-se, não tendo dinheiro sequer para uma visita a familiares e amigos para matar saudades.
Outro exemplo concreto: - Quando comprei a minha casa foram-me apresentadas duas opções de pagamentoda dívida; aprimeira era pagar em quatro anos, com prestações elevadas, a segunda diluía a dívida no tempo, em 20 anos, com prestações mais suaves. Optei pela primeira, sabendo que durante quatro anos tinha de fazer muitos sacrifícios. Assim foi, durante esse período andei com o carro a cair de velho, por que o dinheiro era para amortizar a dívida, não comprei roupa, apenas para os filhos por que estavam a crescer, não ia comer fora para poupar, mas não passei fome, férias para fora de Viana nem pensar, foi então que descobri  as belezas que existem pelo Alto Minho, não havia dinheiro para supérfluos, até deixei de fumar durante três anos.
Depois de trinta anos  em que estes acontecimentos ocorreram, quando faço uma retrospetiva da minha vida, chego à conclusão que foi a melhor opção que podia ter tomado, comparado com outras situações que conheço, que optaram por prestações mais suaves, mas que foram acumulando dívidas, para comprar carro, para os filhos irem para a Universidade, para substituir eletrodomésticos e por fim tiveram de renegociar a dívida da casa passando para trinta anos, não se tendo livrado ainda do fantasma da dívida.
O que se passa  no nosso país é comparável a este cenário - adiar o pagamento da dívida. Os sucessivos governos, para além de terem adiado o pagamento da dívida, engrossaram-na com novos empréstimos para pagar juros.
O que nos espera a todos não é nada animador face às notícias ontem divulgadas pelo ministro das Finanças na Assembleia da República, informando que quando entramos para o Euro a dívida era inferior a 50% do PIB, em 2005 representava 62,5% e em 2013 será de 124% e que vão ser preciso décadas para regressar aos 62% . Este abismo em que estamos terá de ser tapado equitativa e proporcionalmente  por todos, e não só por aqueles que vivem ou viveram do trabalho como até aqui.
Desde que comecei a trabalhar em 1967 sempre fui taxado com impostos. Enquanto isso, outros foram amnistiados com perdões fiscais, prazos expirados por atraso de cobranças, fuga ao fisco e outras injustiças fiscais. Revolta pensar que num país que se diz de direito, estas situações acontecem e, mais revolta ainda, quando depois de ter pago os impostos em dia ao longo duma vida e pensando que tinha direito a uma reforma para a qual descontei 42 anos, é-me tirada parte dessa reforma.
Até há pouco tempo acreditei no Sistema de Segurança Social e julgava que em circunstância alguma a minha pensão ia estar em causa, por que o Estado, como pessoa de bem, honrava os seus contratos e geria os meus descontos através dum fundo de pensões intocável que garantia a reforma aos pensionistas.
Quanto aos restantes  impostos, pensava que tinha de contribuir proporcional e equitativamente aos meus rendimentos para o Estado Social, ou seja, para a saúde, educação, cultura, obras públicas, etc. , e que esse dinheiro seria bem gerido. Tal não aconteceu, e é confrangedor e frustrante ao fim duma vida, em que o mínimo que esperava era paz e sossego, estar sériamente preocupado com o que me pode acontecer no resto dos meus dias.
Viana do Castelo, 2012-11-07
Manuel de Oliveira Martins

segunda-feira, 17 de setembro de 2012


FÁBULA DO AGRICULTOR

Dois agricultores em estado de desespero: - um resolveu cavar a terra, plantar e produzir, outro decidiu esperar que os benefícios o viessem ajudar. No final, o que produziu colheu enquanto o outro continuou à espera dos subsídios e, como tinha fome, pediu ao que produziu que lhe desse de comer, ao que o outro anuiu, num gesto solidário.
Esta fábula li-a há muito tempo na minha infância, não sei onde, mas ficou-me gravada na memória e adapta-se ao momento presente.
Com a adesão à C.E.E. (atual U.E.) muita gente pensou que depois do fim do Império (que nunca chegou a ser) tinhamos encontrado a galinha dos ovos de ouro que nos manteria a desfrutar as delícias do belo clima que temos, sem fazer «patavina». Passados 27 anos da adesão ao «clube dos ricos», essa mesma gente continua a pensar da mesma forma e a exigir dos que trabalharam que os sustentem e lhes matem a fome.
A solidariedade tem limites, e os países que foram emprestando dinheiro para nós desbaratarmos terminou. Também eles estão a esgotar o celeiro e, com receio de passar fome, já não emprestam de qualquer maneira, exigem garantias para o empréstimo. As garantias são as que qualquer hipotecário exige como retrocesso da quantia emprestada.
Temos que poupar mais e gastar menos para liquidar o empréstimo se queremos a restituição do bem hipotecado – o país.
As condições contratuais foram estabelecidas com exigência e rigor pelos que emprestaram. Aqui pode-se questionar se foram as melhores condições, foram as possíveis, não estavamos em condições de exigir mas de aceitar.
Passado quase um ano deste acontecimento, que marcará indelevelmente a história do nosso país, ainda há pessoas que em vez de produzir, pelo menos para comer (aceitarem o que o mercado de trabalho tem para oferecer), ainda estão à espera dos subsídios e da solidariedade daqueles que produzem.
Fala-se em revolta, contesta-se por que não há emprego (é um facto), mas será que aqueles que deitaram as sementes à terra, produziram e por fim se viram expoliados dos seus rendimentos em nome da solidariedade, também não teem direito à contestação, à revolta?
Com tanta fome e tanta falta de emprego, existe muito trabalho para fazer, é preciso que cada um se capacite  que o maná não cai do céu, mas do trabalho que cada um produz e não do que consome, como parece que alguns preconizam.
Viana do Castelo, 2012-08-15
Manuel de Oliveira Martins

terça-feira, 11 de setembro de 2012


ABSENTISMO/ PRODUTIVIDADE

A relação entre estas duas variáveis económicas, está diretamente ligada ao estado atual do país.
A libertação do jugo pesado que amordaçou o povo durante 48 longos anos, despoletou uma onda incontrolada de «libertinagem» (no bom sentido) que nenhum governo soube ou teve a coragem de enfrentar e disciplinar, no interesse do país, que o mesmo é dizer, no interesse de todos.
Todos os que já eram adultos (à época), assistiram ou tomaram parte ativa nos processos revolucionários pós o 25 de Abril de 1974 (em que o poder quase ia caindo na rua), sabem como era antes e como foi depois.
Um prenúncio desse clima de instabilidade, tive-o no  próprio dia da revolução e nos dias que se lhe seguiram. O navio «São Jorge», um dos últimos bacalhoeiros da pesca à linha, tinha saído de Lisboa no dia 22 de Abrilde 1974. O 25 de abril deu-se quando navegávamos no canal de São Jorge, entre as ilhas açoreanas de São Jorge e as do Pico e Faial. A euforia, a alegria, o entusiasmo, invadiu toda a tripulação logo que o capitão deu a Boa Nova, regozijando-se com tal acontecimento, que há muito era desejado.
Daí em diante o capitão não mais teve mão da tripulação que anárquicamente punha e dispunha. Faltaram ao serviço de vigia, assaltaram o paiol dos mantimentos e negaram-se a arriar os botes e ir para a pesca, numa atitude de: - quem manda agora somos nós, vocês, os oficiais, passam a moços e nós é que comandamos.
Esta atitude impensada, fruto da euforia descontrolada e desmedida, não foi avante por que não era sustentada nem tinha fundamento. Nós (os oficiais) também eramos cidadãos portugueses, com os mesmos direitos e deveres, que, como eles, ambicionávamos a liberdade, que durante tantos anos nos fora cerceada. O facto de os comandarmos não era sinónimo de prepotência ou despotismo, tão só de uma hierarquia necessária em qualquer organização bem sucedida.
A conclusão a que cheguei, é que todo este frenesim, era fruto de uma ignorância a que o Estado Novo tinha devotado a classe piscatória, levando-os a agir com o coração e não com a razão e inteligência porque durante muitos anos os tinha ostracizado e mantido analfabetos por interesse.
Era mecessário tirar o povo desta situação atrasada e miserável para que o país pudesse progredir social, económica e culturalmente. Era forçoso investir no povo, dando-lhe formação e conhecimento para que pudesse discernir bem no seu próprio interesse e do paÍs.
Fruto da falta de discernimento e de conhecimento, foram tomadas pelos tripulantes do navio «São Jorge» e doutros navios que se lhe juntaram em St. John’s, posições extremadas que redundaram na tomada de posição, dos interesses ligados ao armamento, mandarem regressar os navios a Portugal face ao impasse das negociações.
Como resultado deste absentismo a produtividade foi fraca. A maior parte do tempo foi passada em terra, em lutas  e reivindicações estéreis que no final redundaram em prejuízos para os tripulantes que dependiam do produto da pesca.
Como sempre acontece em situações semelhantes, paga o justo pelo pecador e, os que sempre cumpriram (caso dos oficiais e pessoal da cozinha) que desempenharam as suas funções  da mesma forma, em obediência à segurança da navegação e à alimentação que era necessário confecionar, foram as vítmas dos primeiros dias de liberdade.
Sempre fui um defensor da liberdade desde que comecei a ter um sentido cívico, político e patriótico, inspirado na figura carismática do General Humberto Delgado, «o General sem medo», como era conhecido pelo comum dos portugueses.
Tinha os meus 10 anos de idade quando pela primeira vez e pela mão do meu pai, assisti a um comício durante a campanha para a Presidência da República em que o General Humberto Delgado era o candidato opositor ao candidato do regime o Almirante Américo Tomás.
Desde essa altura que cimentei, passo a passo, a minha formação política, cívica e patriótica, alinhando pelos ideais da liberdade, igualdade e fraternidade.
O que acabo de referir, é tão sómente para não criar dúvidas quanto ao que vou escrever a seguir, embora o meu comportamento não necessite de justificação.
Por educação (berço) por formação (escola) sou pela disciplina e pelo rigor, tolerando o que é tolerável e exigindo o que é exigível. Este foi sempre o lema do meu comportamento ao longo dos 33 anos em que tive ao meu encargo funções de comando de homens.
Pus sempre em primeiro lugar o ser humano e, desta forma, granjeei amigos entre eles, que ainda perduram, passados muitos anos em que, por imperativos profissionais, a vida nos separou.
A minha atividade profissional enquanto oficial de navios de pesca e, muito por força dela, tinha como meta alcançar sempre o máximo - que era carregar o navio no mais curto espaço de tempo. Desta forma, e por força do contrato de trabalho, quanto mais pescasse mais ganhava e o mesmo se aplicava aqueles que estavam sobre a minha alçada.
Todos a bordo tínhamos de estar em sintonia para conseguir os objetivos que nos propunhamos – carregar o navio.
A relação trabalho/produtividade era importante – apesar de nem sempre ser positiva – contudo, uns e outros (chefes e subordinados) não toleravam o absentismo dos que por força da sua natureza  se esquivavam ao trabalho.
O resultado final era quase sempre o esperado, para satisfação de todos, que regressavam a suas casas com o sentimento do dever cumprido e um pecúlio significativo pelo trabalho praticado.
Portugal está na cauda dos países onde o absentismo é maior e os índices de produtividade são dos mais baixos. O trabalhador português no estrangeiro, é considerado um dos melhores, atingindo índices de produtividade elevado. A que se deve esta discrepância?
Tenho ouvido várias explicações, nem sempre plausíveis  e que se enquadrem com a política do trabalho. Não sou sociólogo nem conheço nenhum estudo que explique este fenómeno, contudo, atrevo-me a dizer que o trabalhador português sente-se bem com uma liderança firme e exigente mas que em troca lhe ofereça segurança de emprego e de salário justo. Esta foi a minha política de atuação ao longo da minha vida, com a qual consegui bons resultados.

domingo, 21 de novembro de 2010

É TEMPO DE CRESCER

A crise económica e financeira a que o nosso país chegou, há muito que era esperada. Só um cego não via a inevitabilidade de mais dia menos dia acordarmos com a notícia dessa fatalidade. Não é preciso ser economista ou estratega político para antever com alguma certeza o que estamos a passar.
Os políticos tentaram esconder dos portugueses a verdadeira dimensão da crise e, mesmo agora, que admitiram que é necessário tomar medidas drásticas para tentar conter a dívida, ainda não conseguem dizer-nos a verdade, escondendo dos portugueses essa realidade, protelando sine die aquilo que a maioria há muito já descobriu, porque está sentindo na pele os efeitos dela, coisa que eles não sentem porque se distanciaram do povo que os elegeu e que esperava mais seriedade e responsabilidade no voto de confiança que lhes concedeu.
A crise não é só portuguesa, é geral. Países como os Estados Unidos estão a passar por privações semelhantes mas enfrentam-nas com frontalidade, sem ambiguidade nem mistificação, dizendo a verdade e apontando soluções e caminhos de orientação.
Portugal, país pequeno em tamanho e riqueza, tem um potencial latente que não está a ser posto em prática, porque adormeceu à sombra do proteccionismo Europeu, que uns quantos governantes, para se manterem no poder, lhes foram impingindo sem escrúpulos nem verdade, ludibriando-os com promessas mais ou menos ocas,  quais poções mágicas.
Os portugueses não se podem deixar mais embalar por essas patranhas. Temos que cair no real e cada um de nós tem de trabalhar por si e para si, não descurando o aspecto solidário que é devido aos que mais precisam e não podem, ignorando os que podem mas não querem.
Há muita coisa a fazer no nosso país se quisermos. Não precisamos ir trabalhar para os outros, como a nossa diáspora confirma, deixando lá a "mais valia" do nosso trabalho. É preciso que acordemos deste pesadelo, ponhamos mãos à obra e com o que temos construamos um país independente o mais possível, evitando dependermos em tudo dos outros, porque temos de lhes pagar aquilo que eles nos emprestam. Lembrem-se do ditado "ninguém dá nada a ninguém", temos de lutar por aquilo que ambicionamos, quanto menos pedirmos menos devemos e menos nos endividamos, menos dependemos dos outros, conquistando desta forma a nossa independência económica, logo, política.
O Padre António Vieira dizia: "somos aquilo que fazemos, se não fazemos não somos". Concentremo-nos neste pensamento e façamos dele um lema da nossa vida. Só assim haverá progresso nas nossas vidas e,    movidos por essa força espiritual, construamos o sucesso material que conduzirá à criação de riqueza e bem estar para todos.
Não podemos pensar que os governos têm a obrigação de fazer o nosso trabalho, de nos sustentar; cada um tem de trabalhar por si e para si, sem a ajuda de ninguém. Se cada um fizer aquilo que lhe compete, não é preciso que os outros façam por eles. Imaginemos a construção de uma casa; se o pedreiro, o carpinteiro, o trolha, o vidraceiro, o electricista, etc., cada um fizer o seu trabalho, a obra fica completa. Mas se um ou mais deles entender que não deve fazer: - "que façam os outros" - a obra não se concretiza e a casa não pode ser habitada.
O actor americano Denzel Washington, dizia, numa entrevista para a revista "Única" de hoje, domingo, instado a propósito da reeleição de Barack Obama: - "Não podemos estar à espera que um indivíduo, mesmo que seja presidente, resolva tudo sozinho". Por melhor que sejam as intenções de Obama (e estou convicto que o são) ou de outro político que venha a governar o nosso país, se cada um de nós não fizer o melhor que puder e souber em nosso proveito próprio, não podemos esperar que venham em nosso auxílio indefinida e obrigatoriamente.
O que tem sucedido ao nosso país, e estou certo que todos temos a noção disso, é que estamos à espera que alguém faça algo por nós, nos dê um subsídio, invocando este ou aquele motivo, com argumentos falsos ou não; a própria lei por vezes até facilita, enquanto noutros casos em que era necessário ajudar, complica, acabando os proponentes por desistir dos projectos.
O Estado, que somos todos nós, não possui um saco sem fundo, donde é possível tirar sempre. Precisamos de lá por alguma coisa para um dia, quando precisarmos, então sim, podermos ser ajudados com parcimónia e justiça.
Em 10 anos a Finlândia passou de país pobre a país rico, fruto de uma mudança radical na sua maneira de viver. Copiemos o exemplo.
Ainda estamos a tempo de inverter a ampulheta e crescermos como pessoas que o mesmo é dizer como país.

Oliveira Martins

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

OUVIR, DISCUTIR, AGIR

Todos  nós sabemos que temos dois ouvidos para ouvir e uma boca para falar, o que é comummente interpretado, que devemos ouvir duas vezes e falar só uma,ou seja, que devemos ter mais atenção em ouvir e ser mais comedidos no falar.
Os portugueses são um povo que geneticamente fala muito, ouve pouco e age ainda menos, ao contrário de outros povos, que ouvem, não discutem e poem acção nas causas. Enquanto os portugueses discutem, os outros agem, por isso levam vantagem.
Há quem afirme que as questões têm de ser bem discutidas e planeadas para não caírem em fracasso. Concordo em parte, quando se trata de questões relacionadas directamente com a saúde, educação e justiça; já não concordo tanto com outras questões genéricas que não interferem directamente com o ser humano, economia, política e outras que, embora interferindo na vida da humanidade, actuam indirectamente.
No meu entender falta-nos acção no que sobra em discussão. Somos demasiado passivos e reaccionários. Isto é, reagimos em vez de agirmos. Perdemos tempo com questões fúteis e inúteis, enquanto outros desprezam essas miudezas e preocupam-se com o essencial. Somos desconfiados e pouco crentes em nós próprios e menos ainda nos outros, o que nos torna pouco construtivos. Falta-nos amor próprio, temos o ego muito em baixo, por isso não agimos, desconfiados com as consequências. Somos medrosos, falta-nos o espírito aventureiro e empreendedor de outros tempos, que perdemos embalados pela abastança que tivemos.
Às vezes penso que faz falta um "abanão", como tiveram os nossos antepassados heróicos, para acordarmos da letargia de cinco séculos em que nos deixamos cair e em que nos mantemos embalados à espera que alguém nos venha trazer o "biberão" para mamarmos.
O "biberão" da Europa está a terminar, já o estamos a sentir a ecoar no vazio da nossa passividade mórbida, que nos transporta para o abismo. É tempo de acordar dessa letargia e agir para sobrevivermos. Levantemo-nos antes do abismo. É a única forma de nos mantermos vivos.
Se amamos o nosso país, vamos fazer algo por nós e por ele, vamos agir, mostrar que estamos vivos.
Às vezes ouço que é preciso vir uma guerra para acordar a humanidade; matar metade para a outra metade sobreviver. Não concordo com esta visão. Se cada um de nós exercer o múnus para que foi criado, trabalhar para o bem estar pessoal e da humanidade, o mundo será melhor e todos viveremos felizes.
É utópico esperar que outros façam por nós aquilo que a cada um compete fazer por si. É preciso que cada um faça os seus deveres e exija os seus direitos para que o mundo se transforme num Éden. 

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A VERDADE DAS NOTÍCIAS

Todos os dias somos confrontados, através da televisão ou dos jornais, com notícias dúbias, falhas de conteúdo ou, o que é mais grave, imprecisas e enganadoras.
A ânsia de dar a notícia mais rápido que a estação concorrente, leva muitas vezes o jornalista a não ser suficientemente preciso e exacto na notícia, induzindo o ouvinte em erro que  vai engrossando por efeito de bola de neve.
Há dias um jornalista, ao pretender fazer um relato dos acontecimentos catastróficos que recentemente ocorreram na Madeira, a propósito de uma bomba de esgoto, montada para extrair a água das caves de um centro comercial alagado, onde se encontravam carros estacionados e se presumia estivessem pessoas, dizia que a bomba estava avariada, para de imediato ser desmentido, em directo, por um responsável dos trabalhos de drenagem que estava a operar com a dita bomba, dizendo que a mesma estava parada para ser transferida para a 2ª cave, aguardando pela abertura de um furo na lage do pavimento para passar o tubo de drenagem.
No mesmo dia essa estação de televisão estava preocupada com o número de mortos e apontava erros e discrepâncias ao Governo Regional relativamente aos dados fornecidos. Estou de acordo que o Governo Regional devia falar a uma só voz e fornecer dados únicos para não induzir os jornalistas  que veínculam a informação, a darem números inexactos. Também compreendo que a catástrofe tenha desviado as atenções dos governantes para questões mais importantes e tenham descurado os canais de comunicação interdepartamentais, necessários a uma informação unívoca. O que já não compreendo é que os mesmos que erraram de manhã ao dar uma notícia em directo, sem confirmarem primeiro a veracidade, agindo apenas por suposição, afirmando que a bomba estava avariada, estejam daí a pouco a contestar os números de mortos avançados por fontes diferentes do Governo Regional.
O jornalista tem únicamente a missão de informar enquanto que o Governo tem outras tarefas mais importantes para se preocupar, especialmente num cenário de catástrofe. É irrelevante neste momento saber ao certo o número exacto de mortos, mas é importante saber se estão a ser tomadas as medidas correctas para debelar a catástrofe e não se deve diminuir a acção dos outros apontando defeitos, mas auxiliando com soluções para resolver os problemas.
Se cada um de nós agisse de forma a fazer o seu trabalho, executando as tarefas de cada um com a preocupação da perfeição, dando o seu melhor  sem subterfúgios e ambiguidades, este mundo seria certamente melhor.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

EMPREGO/TRABALHO

O tema do Fórum da T.S.F. desta manhã era sobre emprego. Fala-se muito na falta de  emprego, da necessidade de criar emprego, de como criar emprego, mas não se fala de preencher o emprego que há  em certos sectores e que ninguém está interessado nele.
Os portugueses, no seu país, dão-se ao luxo de escolher e rejeitar certo tipo de emprego para o qual estão qualificados, no entanto, quando emigram, aceitam todo o tipo de emprego, inclusive aquele que no seu país rejeitaram. 
Como explicar tudo isto? Por vergonha, por orgulho, desprestígio! Talvez um pouco de tudo, o que é lamentável.
Invocam na maioria dos casos, razões salariais mais elevadas, mas raramente referem as condições de trabalho a que se sujeitam para garantir emprego, quantas vezes precário e ilegal.
As razões salariais não são motivo que justifique a ausência do pais  e dos familiares, por que em geral, a diferença salarial é inferior ao desnível do custo de vida desses países relativamente ao nosso. 
A alimentação, os transportes, as rendas de casa, são mais elevadas na maioria dos países de emigração. O que acontece é que esses emigrantes, que rejeitam emprego no seu país, sujeitam-se a alimentar-se mais comedidamente, a irem para o trabalho a pé para economizar o passe do transporte e a viverem em casas sem condições mínimas, até por vezes em bairros de lata, coisa que no seu país em circunstância alguma aceitariam.
Ainda há bem pouco tempo, uma fábrica duma multinacional que se instalou recentemente no distrito de Viana do Castelo, teve dificuldade em contratar pessoal para iniciar a laboração da fábrica. Alegavam os que foram à entrevista que era pouco dinheiro para o trabalho que lhes propunham.
O fundo de desemprego, da forma como está a ser aplicado, não incentiva a quem se encontra numa situação crítica de desemprego, a procurá-lo para melhorar a situação de vida instável em que se encontra o desempregado, pelo contrário, constitui um estímulo ao desemprego.
O fundo de desemprego não pode suportar uma avalanche tão grande de desempregados durante tanto tempo, sustentado apenas por um cada vez mais reduzido número de contribuintes activos, sob pena de se dar o colapso económico-financeiro desse fundo (se é que já não se deu?).
Se os braços válidos que existem neste país se dispusessem a trabalhar, rapidamente sairíamos da crise em que vivemos constantemente. Para que este cenário se concretizasse só eram precisas duas coisas, confiança e seriedade.
Confiança da parte do trabalhador esperando que no final do mês o empregador lhe pague o salário justo em função do trabalho que efectuou. Seriedade do empregador que respeitando o princípio de "para trabalho igual salário igual", cumpriria com este dever fundamental.
O respeito mútuo entre empregador/trabalhador são a base do sucesso de qualquer actividade e contribuem para o crescimento da mesma e do país.
Cabe ao governo da nação fiscalizar as duas partes, criando regras simples, mas eficazes, para que o trabalho seja cumprido e dignificado.
Está nos manuais que a força do trabalho é o capital mais importante que um país tem para crescer a todos os níveis, cultural, social e económico.
Outro slogan que aprendemos,"é pelo trabalho que o homem se dignifica". Sem dúvida que o resultado de quem trabalha é um valor comparado com o resultado de quem nada faz.
Saibamos dignificar-nos, trabalhando para nosso benefício pessoal e da humanidade. Denunciemos os que nada fazem e incentivemo-los a trabalhar.
Costuma-se dizer que o trabalho dá saúde. É um facto que quando se anda absorvido com o trabalho não se pensa em doenças e muitas delas, especialmente as do foro psíquico desaparecem, porque não magicamos nelas.
Sou a favor do trabalho e contra o ócio. O trabalho não traz mal ao mundo enquanto o ócio só traz vício e mal.